publicado por nanotech | Segunda-feira, 04 Janeiro , 2010, 19:40

O Prémio Fernando Bragança Gil é atribuído bianualmente pela Sociedade Portuguesa de Física à melhor tese de doutoramento em física, defendida numa universidade portuguesa. Na sua primeira edição, o prémio de 2010 foi atribuído ao Doutor Eduardo Castro, pela sua tese intitulada "Correlations and disorder in electronic systems: from manganites to graphene", defendida em 2008, na Faculdade de Ciências da Universidade do Porto. A tese foi orientada pelos professores Doutor João Lopes dos Santos e Doutor Nuno Peres.

Eduardo Castro licenciou-se em Física na Universidade do Porto, durante o ano de 2001, com a classificação final de 17 valores. Tendo sido, nesse ano, o aluno da Faculdade de Ciências dessa Universidade a terminar a licenciatura com a mais alta classificação, foi-lhe atribuído o prémio de mérito Eng. António de Almeida, pela Fundação com o mesmo nome. Actualmente, Eduardo Castro é investigador de pós-doutoramento no Instituto de Ciências de Materiais de Madrid.

Física - Prémio Fernando Bragança Gil

 

O trabalho de doutoramento de Eduardo Castro, agora distinguido, permitiu elucidar muitos aspectos da física fundamental do grafeno. Esta investigação está publicada em quatro artigos na revista Physical Review Letters, uma das mais prestigiadas revistas de Física.

O sólido que dá pelo nome de grafeno foi descoberto apenas em 2004, pelo físico André K. Geim, professor na Universidade de Manchester, no Reino Unido. O grafeno é a folha mais fina que jamais será possível fabricar, dado que a sua espessura é de apenas um átomo. Um dos aspectos mais extraordinários no contacto com este material é que, tendo apenas um átomo de espessura, pode, contudo, ser visto a olho nu, pois é hoje possível produzir folhas de grafeno com a dimensão de um milímetro quadrado, tal como se pode ver na imagem anexa,  na qual o grafeno está depositado em cima de um vidro. A imagem foi ampliada com ajuda de um simples microscópico óptico, semelhante ao usado no estudo de células em tecidos biológicos.

O grafeno é composto exclusivamente de átomos de carbono (tal como o é o diamante) com os átomos organizando-se numa rede da mesma geometria (hexagonal) das usadas nas vedações de galinheiros. Neste sistema os electrões comportam-se como se não tivessem massa e movimentam-se com uma velocidade 300 vezes menor que a velocidade da luz no vazio.

As potenciais aplicações do grafeno abrangem áreas tão vastas como a nano-electrónica, sistemas de radio-frequência (cuja compreensão teórica decorreu directamente dos trabalhos de doutoramento de Eduardo Castro), detecção de moléculas individuais (com impacto em sensores moleculares ultra-sensíveis e aplicações à bio-tecnologia), eléctrodos transparentes (em LCD's e células solares), e sensores de tensão de dimensão nanoscópica, entre outras. Por tudo isto, o grafeno é um dos mais promissores materiais em nano-tecnologia.

Para saber mais: ver artigo da Gazeta de Física sobre o grafeno.

 

fonte: http://aeiou.expresso.pt/premio-fernando-braganca-gil=f553837


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