publicado por nanotech | Domingo, 16 Maio , 2010, 17:52

A nanotecnologia é uma área da ciência à qual cientistas, empresas e iniciativas governamentais de todo o mundo têm se dedicado com afinco.

 

Autor: Silvia Pacheco
Fonte: Correio Braziliense

Foto: Rorivaldo e Ricardo



A nanotecnologia é uma área da ciência à qual cientistas, empresas e iniciativas governamentais de todo o mundo têm se dedicado com afinco. O motivo de tantas pesquisas é o enorme potencial de aplicações do segmento, que vão desde o desenvolvimento de equipamentos eletrônicos mais eficientes até a fabricação de materiais que impeçam o acúmulo de gordura nos fogões. Mas o que poucos poderiam imaginar é que a técnica que reorganiza átomos para criar ou melhorar objetos daria origem a uma nova forma de arte, responsável por imagens surpreendentes e batizada de nanoarte.

Cientistas perceberam que as nanopartículas — tão pequenas que são invisíveis mesmo com a ajuda de microscópios comuns e são medidas em nanômetro (unidade 1 milhão de vezes menor que 1mm) — são ideais para a expressão artística. As formas desses elementos, que lembram flores, rios e até cavalos-marinhos, são um convite à criatividade. A sobreposição de partículas dá origem a verdadeiras esculturas naturais, cujas formas são captadas em preto e branco por microscópios de altíssima resolução. As imagens são, então, encaminhadas para um editor de imagem, onde os artistas acrescentam as cores.

“Depois de muito observar essas imagens, percebi a beleza que elas representavam”, conta Rorivaldo Camargo, técnico em microscopia da Universidade Federal de São Carlos (Ufscar), um dos pesquisadores que encontrou na nanotecnologia uma maneira de expressar seus dotes artísticos. “Uma partícula sobre a outra pode gerar uma imagem inusitada. A beleza é esculpida pela própria natureza. O toque do artista vai nas cores escolhidas para enaltecer a imagem”, explica o criador do Projeto Nanoarte, que há três anos produz composições obtidas a partir de nanopartículas analisadas pelos alunos e pesquisadores do Centro Multidisciplinar para o Desenvolvimento de Materiais Cerâmicos (CMDMC).

 



The nanoparticles domain lies between solids and molecules where their properties are expected to 



O projeto ajudou a colocar o país em posição de destaque na área. Dois pesquisadores da Ufscar, Ricardo Tranquilin e Daniela Caceta, ficaram, respectivamente, com o segundo e o quarto lugares na quarta edição da Mostra Internacional Online de Nanoarte, terminada no mês passado. “Em diversas imagens observamos formas variadas da natureza. Aí é só usar a criatividade nas cores. É um trabalho artístico em equipe, e o resultado final é prazeroso e motivador”, descreve Tranquilin, doutorando e técnico em microscopia.

Participaram da competição, com votação feita pela internet, 42 pesquisadores da Alemanha, do Canadá, da Itália, da Romênia, da Holanda, da Eslovênia, das Filipinas e do México, além do Brasil, que pela primeira vez enviou trabalhos. “Nosso desempenho mostra a presença do Brasil na nanoarte e demonstra nosso potencial nessa área”, comemora Tranquilin. Os trabalhos dos 10 melhores colocados ganharão exposições na Alemanha e na Finlândia, onde serão vendidos. Segundo, Tranquilin, as obras selecionadas na edição passada da mostra foram vendidas por valores a partir de US$ 9 mil. “Teve imagem que chegou a ser vendida por US$ 15 mil”, conta o doutorando.

Propriedades

Segundo Elson Longo, professor do Instituto de Química da Universidade de São Paulo (USP), a proposta do projeto, além do aspecto estético, ajuda os cientistas a entenderem melhor as propriedades das matérias. “Essas imagens são capazes de nos mostrar propriedades que nunca imaginamos que essas matérias tivessem”, diz. Longo cita como exemplo o fato de a água não ser absorvida pelas folhas das plantas. “Por que a folha não molha? Ora, porque há pelos nanométricos em sua superfície que faz com que a água deslize. As imagens nos mostraram isso”, explica.

Outro aspecto da técnica é o de popularizar o mundo dos nanomateriais e estimular a curiosidade científica a partir das imagens obtidas. O grupo que compõe o Projeto Nanoarte planeja lançar o quinto DVD com as imagens produzidas. “Queremos divulgar a nanotecnologia para o público em geral, além das escolas técnicas”, afirma Camargo. “No momento da seleção das imagens, vimos que seria interessante levar informações aliadas às belas imagens tanto para os profissionais quanto para os amadores. Alguns artistas plásticos já entraram em contato comigo, interessados nas imagens”, completa.

INFINITOZINHO
A nanotecnologia inspira também outras formas de arte. No mês passado, o doutor em multimeios pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) Giuliano Tosin criou o que foi considerado o primeiro nanopoema em língua portuguesa. Tosin gravou, em um fio mil vezes mais fino que o de cabelo, a palavra infinitozinho. O fio de fosfeto de índio foi marcado por um feixe de elétrons gerado a partir de um microscópio eletrônico de transmissão por varredura. Na ocasião, o autor da façanha esclareceu sua obra de forma polêmica: “É para mostrar o lado ocioso e vagabundo das mídias eletrônicas, um lado que não serve para nada senão gerar estados de espírito e insights para o intelecto”, disse ao Jornal da Unicamp.



 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Autor: Silvia Pacheco
Fonte: Correio Braziliense


publicado por nanotech | Domingo, 25 Abril , 2010, 17:34

Espaço, que tem 200 m2 e custou R$ 1 milhão, fabricará medicamentos para tratar câncer de pele com aplicação de laser

 

O Centro de Nanotecnologia e Engenharia Tecidual Aplicado à Saúde, instalado dentro do câmpus da Universidade de São Paulo (USP) em Ribeirão Preto, já está produzindo desde 1.º de março, embora ainda não tenha sido inaugurado oficialmente.

 

Num espaço de 200 metros quadrados, que custou R$ 1 milhão (entre construção e equipamentos), são produzidos medicamentos nanoestruturados (fármacos fotoativos) para o tratamento de câncer de pele com aplicação de laser, além de pele artificial usada para corrigir cicatrizações, queimaduras e perdas da camada em acidentes. E existem outras pesquisas em andamento e uma parceria com a marca francesa Dior está em negociação para produzir cosméticos voltados ao rejuvenescimento.

O coordenador do centro e professor do Departamento de Química, da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da USP, Antonio Claudio Tedesco, destaca que os medicamentos nanoestruturados já estão sendo distribuídos para a população de baixa renda em três centros ambulatoriais do País: o Hospital das Clínicas (HC) de Ribeirão Preto e as instituições de saúde da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e da Universidade de Brasília (UnB). Ainda no primeiro semestre serão incluídos dois outros centros: Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) e um de Campo Grande (MS). A meta é chegar a 12 centros ambulatoriais até o fim deste ano.

Os pesquisadores desenvolvem medicamentos com outros princípios ativos, além dos fotoativos. Com a nanotecnologia, os velhos fármacos, com nova roupagem, atingem alvos específicos, com menos efeitos colaterais aos pacientes. A produção de pele tridimensional em laboratório (artificial) será em larga escala. A distribuição desse material não ocorre pelo Sistema Únicos de Saúde (SUS), mas por convênios de pesquisas entre a USP e centros interessados, com custos bancados por agências de fomento à pesquisa. Porém, a meta é fazer convênio com o Ministério da Saúde para subsidiar a distribuição.

O centro está desenvolvendo, em parceria com a Unifesp, estudos de fármacos nanoestruturados para o tratamento de doenças que atingem o sistema nervoso central, como Alzheimer, Parkinson e glioma (câncer cerebral). "Esses estudos estão na fase animal e os fármacos desenvolvidos são inseridos dentro do cérebro, permeando a barreira neuroencefálica", diz Tedesco.

 

fonte: O Estado de S. Paulo 

 http://www.estadao.com.br/


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